O câncer de intestino em jovens é relativamente raro, mas existe e vem sendo diagnosticado com mais frequência em pessoas com menos de 50 anos. Os sinais que não devem ser ignorados são sangue nas fezes, mudança persistente do hábito intestinal, fezes mais finas, dor abdominal que não passa, anemia e perda de peso sem explicação. Esses sinais também podem ter outras causas, como hemorroidas, mas só a avaliação confirma, e ser jovem não é motivo para esperar.
Câncer de intestino em jovens: o que se sabe hoje?
Desde a década de 1990, estudos de vários países mostram aumento dos casos de câncer colorretal, nome que reúne os tumores do cólon e do reto, em pessoas com menos de 50 anos. As causas ainda estão sendo investigadas, e alimentação, excesso de peso e inatividade física aparecem entre as hipóteses.
Isso não significa que a doença seja comum nessa faixa etária. O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI) a descreve como relativamente rara, atingindo bem menos de 1% dos adultos jovens, e o INCA informa que cerca de 90% dos casos ocorrem em pessoas com mais de 50 anos. A idade pesa na probabilidade, mas não descarta a investigação de um sintoma.
Especialistas defendem que jovens e médicos abandonem a ideia de que a doença é coisa de gente mais velha. Reconhecer os sinais, sem alarme e sem adiar, ajuda a não atrasar a investigação.
Quais são os sinais de câncer de intestino que não devem ser ignorados?
O INCA e a American Cancer Society listam sinais parecidos. Muitos desses sinais também podem ter outras causas, como infecções, hemorroidas e síndrome do intestino irritável. O que é novo, persistente ou combinado com outros sinais merece investigação:
- Sangue nas fezes ou sangramento ao evacuar, vermelho vivo ou escuro
- Mudança do hábito intestinal que dura mais do que alguns dias: diarreia ou prisão de ventre
- Fezes mais finas e compridas do que o habitual
- Sensação de evacuação incompleta ou vontade frequente de evacuar sem resultado
- Dor, cólica ou desconforto abdominal que persiste
- Cansaço, fraqueza e anemia, que às vezes aparece primeiro em um exame de sangue
- Perda de peso sem explicação
Sangue nas fezes em jovem é hemorroida ou pode ser algo mais?
A American Cancer Society cita as hemorroidas entre as condições que podem causar sintomas parecidos com os do câncer de intestino. O risco está em presumir a causa sem examinar: ter hemorroida não impede que exista outra doença ao mesmo tempo.
Qualquer sangue nas fezes merece avaliação, mesmo que apareça uma única vez, principalmente se vem junto de mudança do hábito intestinal, anemia ou perda de peso, ou se há histórico familiar. Para entender como o coloproctologista separa uma coisa da outra, leia sobre sangramento ao evacuar que pede investigação.
Se a vergonha ou a sensação de que é cedo demais para se preocupar atrapalha, lembre que falar de sintomas intestinais faz parte da rotina do coloproctologista, e é possível se preparar para a consulta com mais tranquilidade.
Quem tem risco maior de câncer de intestino antes dos 50?
Alguns fatores aumentam o risco e mudam o plano de acompanhamento, mesmo em quem não tem sintoma. Mas o NCI lembra que fatores hereditários explicam só 10% a 20% dos casos em jovens: não ter ninguém na família com a doença não afasta o diagnóstico. Para organizar o que você sabe sobre seus parentes antes da consulta, use a ferramenta histórico familiar intestinal. Entre os fatores que aumentam o risco estão:
- Parentes com câncer de intestino: pesam o grau de parentesco e a idade no diagnóstico
- Doença inflamatória intestinal, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa
- Síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar
- Histórico pessoal de câncer de intestino, ovário, útero ou mama
- Radioterapia prévia no abdome ou na pelve
A partir de que idade fazer o rastreamento do câncer de intestino?
Rastreamento é o exame feito em quem não tem sintoma, para encontrar pólipos ou sinais da doença antes dos sintomas. As regras variam. A American Cancer Society recomenda começar aos 45 anos em pessoas de risco médio. No Brasil, as diretrizes homologadas pelo INCA consideram a faixa de 50 a 75 anos, com pesquisa de sangue oculto nas fezes (FIT) a cada dois anos e colonoscopia quando o resultado é positivo.
Quem tem sintoma ou risco aumentado não segue essa regra geral: a investigação pode começar antes e ir direto à colonoscopia. Entenda quando fazer colonoscopia e por que o rastreamento deve ser individualizado.
Para saber a idade certa no seu caso, a conversa na consulta de prevenção do câncer de intestino parte do seu histórico familiar e dos seus sintomas.
O que ajuda a reduzir o risco de câncer de intestino?
Hábitos saudáveis fazem parte da prevenção, mas reduzem o risco, não o eliminam, e não substituem a avaliação de sintomas nem o rastreamento indicado. As orientações do INCA incluem:
- Alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, rica em vegetais, fibras e grãos integrais
- Atividade física regular: a meta citada pelo INCA é de 150 minutos ou mais por semana, com aumento gradual
- Limitar a carne vermelha a até 500 gramas cozidas por semana e evitar carnes processadas, como embutidos
- Manter o peso adequado e não fumar
- Evitar bebidas alcoólicas, já que a Organização Mundial da Saúde afirma que não existe dose segura de álcool
Sinais que pedem avaliação rápida ou atendimento de urgência
Procure atendimento sem esperar melhorar sozinho se houver:
- Sangue nas fezes, mesmo em pouca quantidade ou uma única vez, principalmente se voltar ou persistir: marque avaliação e entenda quando procurar um coloproctologista
- Mudança do hábito intestinal sem explicação que dura mais do que alguns dias: procure atendimento
- Anemia, cansaço novo ou perda de peso sem causa aparente: procure atendimento médico para investigar
- Fezes pretas ou muito escuras, ou sangramento intenso ou que não para: vá a um serviço de urgência
- Dor abdominal que não passa, barriga inchada, vômitos repetidos e incapacidade de eliminar gases e fezes: vá a um serviço de urgência
Como é a avaliação do intestino com o coloproctologista
A consulta começa pela conversa: quando os sintomas apareceram, como são as fezes, se há sangue, mudanças de peso, cansaço e, de forma central, o histórico da família, com quem teve câncer de intestino e em que idade. Depois vem o exame físico do abdome e da região anal e, quando necessário, o toque retal e a anuscopia.
Com esses dados, o coloproctologista decide se basta tratar e acompanhar uma causa benigna, como a hemorroida, ou se é preciso investigar mais, com hemograma e, principalmente, o exame de colonoscopia, que permite ver o intestino por dentro, retirar pólipos e fazer biópsias. Sinais de alerta, anemia ou histórico familiar pesam a favor do exame mesmo em quem é jovem.
A Dra. Raquel Nogueira atende no Santo Agostinho, em Belo Horizonte, com avaliação individualizada e tempo para ouvir o seu caso. Veja como funciona em Prevenção do câncer de intestino e avaliação para colonoscopia ou fale com o consultório.
Perguntas frequentes
Câncer de intestino em jovens é comum?
Não. O NCI descreve a doença como relativamente rara nessa faixa etária, atingindo bem menos de 1% dos adultos jovens, e o INCA informa que cerca de 90% dos casos ocorrem depois dos 50 anos. O que preocupa é o aumento observado em vários países e o risco de sintomas serem ignorados por se achar que a doença é só de pessoas mais velhas. Por isso, sintoma persistente deve ser avaliado em qualquer idade, sem pânico.
Sangue nas fezes aos 30 anos pode ser câncer de intestino?
Pode, mas o sangue nas fezes também pode vir de outras causas, como a hemorroida. O problema é que só o exame permite diferenciar. Qualquer sangue nas fezes, mesmo uma única vez, merece avaliação, principalmente se volta, persiste ou vem junto de mudança do hábito, anemia ou perda de peso. Sangramento intenso ou fezes pretas pedem serviço de urgência.
Quando procurar o coloproctologista por mudança no intestino?
Procure quando a mudança durar mais do que alguns dias sem explicação, ou se houver sangue nas fezes, anemia, perda de peso, dor abdominal persistente, fezes mais finas ou histórico familiar. Não é preciso esperar piorar. Sangramento intenso, fezes pretas, ou dor abdominal que não passa com barriga inchada, vômitos repetidos e incapacidade de eliminar gases e fezes, pedem serviço de urgência, sem esperar a consulta.
O câncer de intestino pode não dar sintomas no início?
Pode. A American Cancer Society observa que a maioria das pessoas com pólipos não tem sintomas e que o primeiro sinal da doença pode ser a anemia, vista em um exame de sangue. É por isso que existe o rastreamento em quem não tem queixa. A conversa com o coloproctologista ajuda a definir quando começar.
Quem tem pai ou mãe com câncer de intestino deve fazer colonoscopia mais cedo?
Em alguns casos sim. A American Cancer Society explica que a recomendação depende de quais parentes tiveram a doença e da idade em que ela foi diagnosticada, e que há quem precise começar antes dos 45 anos e repetir o exame com mais frequência. A definição é individual e feita em consulta. Veja o caso de quem tem mãe com câncer de intestino.
É possível prevenir o câncer de intestino em jovens?
Nenhum hábito elimina o risco, mas dá para reduzi-lo: alimentação rica em fibras, atividade física, peso adequado, não fumar e evitar álcool e carnes processadas. Em quem faz rastreamento, a colonoscopia permite remover pólipos, e o INCA lembra que isso pode evitar o câncer. Por isso, a colonoscopia, quando indicada, faz parte da prevenção.
Como é a consulta de prevenção do câncer de intestino em Belo Horizonte?
É uma conversa individual com o coloproctologista sobre seus sintomas e histórico familiar, com exame físico quando indicado e orientação sobre rastreamento e colonoscopia, se houver indicação. A página de prevenção e avaliação para colonoscopia explica como funciona o atendimento em Belo Horizonte.
Leia também
Fontes para consulta
- National Cancer Institute (NCI): Why Is Colorectal Cancer Rising Rapidly among Young Adults? (Cancer Currents) ↗
- INCA: Câncer de intestino (versão para a população) ↗
- INCA: Câncer de intestino (versão para profissionais de saúde) ↗
- American Cancer Society: Signs and Symptoms of Colorectal Cancer ↗
- American Cancer Society: Colorectal Cancer Screening Guidelines ↗
- MedlinePlus (NIH): Intestinal obstruction and ileus ↗
Este artigo traz informações gerais e não substitui consulta médica. Se houver sintomas intensos ou piora importante, procure um serviço de saúde.
